O Conceito de Pulsão

O Conceito de Pulsão

Sigmund Freud descreve a pulsão como um conceito "situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam no corpo - dentro do organismo - e alcança a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo".

Para ele, não existe um caminho natural para a sexualidade humana, onde uma única maneira é passível de satisfazer o desejo, o que acaba por atribuir ao ser humano a sina de estar constantemente insatisfeito com ele. E é diante disso que Freud se refere a pulsão sexual (trieb) e não em instinto (instinkt), que é um padrão de comportamento, hereditariamente fixado e com um objeto delimitado, enquanto a Trieb não implica em comportamento pré-formado e nem tão pouco em objeto específico.

Lacan sublinha em Escritos que "a pulsão, tal como é construída por Freud a partir da experiência do inconsciente, proíbe ao pensamento psicologizante esse recurso ao instinto com ele mascara sua ignorância, através de uma suposição de uma moral na natureza" (Lacan, 1998, p.865).

Já no O Inconsciente, Freud destaca que a antítese entre consciente e inconsciente não se deposita nas pulsões; isso se ela não se prendeu a uma ideia ou não manifestou como um estado afetivo, não será possível saber nada sobre ela. "A pulsão nunca se dá por si mesma, nem a nível consciente, nem a nível inconsciente; ela só é conhecida pelos seus representantes: o representante ideativo (vorstellung) e o afeto (affekt)".

Referências:

MOURA, Joviane. Introdução ao Conceito de Pulsão. Disponível em. Acesso em: 16 out. 2019.

ANTERIOR PRÓXIMA