O Lado B da Cirurgia Bariátrica

O Lado B da Cirurgia Bariátrica

Dentre os números mundiais, o Brasil é o segundo país com o maior índice de cirurgias bariátricas. Só no ano de 2017 foram 105 mil realizadas e, levando em consideração a quantidade de obesos, 1 em cada 5 pessoas já são, esse quadro tende a aumentar cada vez mais. Portanto, diante da dificuldade em se desfazer dos quilos indesejados, inclusive por fatores genéticos e dos males que a obesidade oferece à saúde, a cirurgia tornou-se uma boa saída. 

No entanto, faz necessário analisar vários fatores antes de optar pela cirurgia bariátrica, além de investir em alterações comportamentais e acompanhamento próximo a operação. A relação psicológica com o alimento é uma delas, tendo em vista que cerca de 150 estudos identificaram a incidência de hábitos e transtornos antes e após a bariátrica. A compulsão é a maior delas e, em alguns momentos, não melhoram com o procedimento, podendo até piorar depois.

"O padrão de alimentação muda tão drasticamente após o procedimento que a pessoa pode desenvolver mecanismos negativos para compensar os excessos de antes. Alguns passam a beliscar o dia todo, outros induzem vômitos e há quem fique até com medo de comer", ressalta a nutricionista Marle Alvarenga (MAGALHÃES, 2019).

Nesse sentido, o acompanhamento psicológico é fundamental, pois pode auxiliar a pessoa a controlar as suas emoções, não só na relação com a comida, mas também a assumir uma postura mais ativa no tratamento. Não à toa, os serviços de bariátrica dos grandes hospitais exigem um acompanhamento multiprofissional. Outro aspecto a ser monitorado é o nutricional. Como os pacientes passam a comer menos e podem até absorver menos nutrientes por conta da cirurgia exige-se suplementar vitaminas e minerais, talvez até para a vida toda. 

Também há outros riscos a considerar, como o revelado pela pesquisa brasileira publicada na revista científica Nature de que "a parte do estômago que fica inutilizada após a cirurgia de by-pass gástrico (a mais realizada entre as bariátricas) pode virar uma fonte de problema". Assim, se torna um solo fértil para o desenvolvimento de câncer a longo prazo, como sublinha o médico Dan Waitzberg, coautor da pesquisa e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (MAGALHÃES, 2019). 

Sendo assim, os pacientes operados necessitam de um monitoramento também por um gastroenterologista. A cirurgia bariátrica não é contraindicada, mas exige todos os exames e análise corretos de prós e contras, além do acompanhamento multiprofissional contínuo. 

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Referências:

MAGALHÃES, Naiara. O outro lado da cirurgia bariátrica. Disponível em. Acesso em: 22 out. 2019. 

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