Evolução do Conceito de Estresse

Evolução do Conceito de Estresse

Há tempos, desde a pré-história, existe o conhecimento de que o ser humano sofre exaustão decorrente do trabalho, do medo, da fome, da exposição ao calor e ao frio, dentre outros motivos. Esses acabam por acarretar em diferentes consequências biológicas e psicológicas no indivíduos, sendo o mais comum o estresse. 

Considerando as múltiplas condições sociais, históricas e culturais que repercutem no comportamento e na construção do conhecimento, se faz necessária a compreensão da evolução do conceito de estresse. O nome, a princípio, foi empregado pela Física e a Engenharia para descrever as forças atuantes sobre uma resistência, simbolizando a carga de um material antes de se romper. Depois, foi aplicado como sinônimo de fadiga e cansaço. 

Assim, a nomenclatura teve interligada a múltiplas áreas de conhecimento e por meio de conceitos múltiplos, desde uma peça mecânica ao estresse psicológico no ser humano. A congruência com a força, esforço e tensão veio dos séculos XVIII e XIX, no período da Revolução Industrial, quando a miséria, o trabalho desgastante, e as condições precárias de moradia e alimentação prejudicaram a vida social. Foi quando se começou os debates sobre a saúde do trabalhador e as questões do estresse.

Histórico 

Ainda no século XIX, o fisiologista francês Claude Bernard salientou a eficiência dos seres vivos em nivelar o bem-estar e o equilíbrio do organismo diante das modificações externas."Os estudos desse fisiologista estabeleceram a existência de mecanismos específicos para a proteção contra a fome, sede, hemorragia e agentes que poderiam alterar os parâmetros normais de temperatura corpórea, pH sanguíneo, glicemia, proteínas, gorduras e cálcio" (Silva; Goular; Guido, 2018, p.149).

O conceito foi intitulado como homeostase orgânica por Walter Cannon, no século XX. De grande relevância ao período, deu suporte aos estudos posteriores, como a Hans Selye, para descrever o modelo biológico do estresse. Após, o Modelo Interacionista foi apresentado por Lazarus e Folkman, observando a interação do ambiente, pessoa ou grupo, considerados fundamentais ao processo de estresse. 

Segundo Silva et al (2018), no cenário brasileiro, até os anos 1970, não havia produção científica sobre estresse. Com o passar do tempo observou-se pesquisas cujo objeto de estudo eram as relações existentes entre estresse e trabalho. Entretanto, o alto nível de estresse e o alto índice de desenvolvimento de Síndrome de Burnout "Burnout sinaliza a importância de compreender o processo de estresse e as estratégias para o seu enfrentamento a fim de prevenir as consequências negativas do mesmo para a vida dos seres humanos"  (Silva; Goular; Guido, 2018, p.154).

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Referências:

Silva RM, Goulart CT, Guido LA. Evolução histórica do conceito de estresse. Rev. Cient. Sena Aires. 2018; 7(2): 148-56.

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